Cláudio Belli

A CERCA // Suplicy Itaim // R. Renato Paes de Barros 198
O fotógrafo convidado desta exposição é Cláudio Belli. Perto de avenida movimentada de uma das maiores cidades do mundo, o menino parece estar perdido na solidão de seu pequeno mundo, observando a partida de futebol de várzea, ao lado da comunidade onde vive. Ele está debruçado na cerca que separa o campo de terra do amontoado de fios de instalações de eletricidade improvisadas.
Por seus olhos tentamos enxergar o mundo em uma perspectiva diferente, a da criança, dos seus sonhos. Ele sobe na cerca para ver um pouco mais longe.
Ele para um instante e observa o invasor com sua câmera em punho, sai um pouco de sua meditação. Mas logo esquece da presença e do som dos cliques, atentando novamente para a bola rolando, para os gritos, para o sol forte que dá vida s sombras.
A visão do fotógrafo gira em torno daquele momento, que apesar de sua simplicidade torna-se candidato a ser eterno. Mas para o menino da favela, o menino na cerca, o que importa é a vontade de brincar com o presente, com os momentos que se entrelaçam, com a vida que é mágica.

CARREGADORES // Suplicy Café Jardins // Alameda Lorena 1430
As exposições do Café Suplicy raramente trazem como tema o grão, mas este ensaio que apresentamos ‘toca’, de uma forma particular, o universo do café.
O fotógrafo convidado desta exposição é Cláudio Belli, ele desenvolveu entre 2007 e 2012 uma pesquisa visual na Zona Cerealista, região metropolitana de São Paulo, retratando o cotidiano dos Carregadores, também conhecidos como ‘saqueiros’.
As fotos da exposição são resultado da projeção de algumas destas imagens da pesquisa em sacas de cereais no Armazém D. Tradição da Zona Cerealista. As texturas dos corpos e das imagens se misturam as texturas das sacas.
Com o olhar voltado para esse ofício, dos que ‘carregam o Brasil’ sobre seus ombros, este ensaio vem homenagear estes trabalhadores e mostra, simbolicamente, como os produtos estão impregnados em suas peles.
A luz rebatida nos corpos e direcionada para a câmera fotográfica é devolvida para as pilhas de sacos pelo projetor. Enquanto as projeções eram fotografadas, os carregadores trabalhavam e observavam, curiosos, o final do ciclo do projeto.